Acidente só com danos no carro na Espanha: reclamar reparo
Quando não há lesões, o processo é sobre prova, valor do reparo e quem paga. A declaração amigável (parte amistoso), fotos antes de mover os carros, orçamento, a avaliação de danos da seguradora (peritaje) e prazos da seguradora decidem se você recupera o custo ou fica com avaliação baixa.
Inclui dano em carro estacionado, batidas leves, fuga se documentada e disputa sobre custo de reparo.
Se ambos concordam, a declaração amigável fixa a versão; se não, polícia ou prova escrita pesa mais.
Uma avaliação baixa pode ser contestada com orçamentos, fotos e apólice.
- Condutores, proprietários, usuários de carro alugado e pessoas cujo veículo estacionado foi danificado.
NAVIVerificar a indemnização por acidente — quanto e como reclamar
O NAVI explica como reclamar a indemnização.
Seus direitos antes de aceitar
- Peça a seguradora responsável, número do processo e posição por escrito.
- Não assine acordo final, renúncia ou versão que você não entende.
- Guarde as faturas de reparo, os gastos de deslocamento e as mensagens numa cronologia.
Prazos e urgência
- Documente os danos o quanto antes; fotos, peritaje ou orçamento feitos muito depois são fáceis de contestar.
- Guarde cada data de notificação. O prazo pode correr desde o recebimento.
- Se a seguradora fizer oferta ou negar, confira antes de aceitar ou responder.
- Fotos antes de mover veículos, matrículas, local, hora, testemunhas e declaração correta.
- Orçamento, peritaje, guincho, carro substituto e mensagens da seguradora.
- Apólice, franquia, relatório da oficina e prova de propriedade ou contrato de aluguel.
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Ordem segura de ações
- Primeiro garanta a segurança das pessoas e preserve as provas: fotos, testemunhas e referência policial se houver.
- Reúna orçamentos, faturas, apólice, mensagens, oferta ou negativa.
- Identifique quem responde pelo dano: a seguradora, o outro condutor ou outro responsável.
- Envie o primeiro pedido escrito correto e escale só com o processo completo.
Um caso real: colisão de dois carros sem culpa provada — cada um assume metade
A primeira instância concedeu tudo, a apelação não concedeu nada e o Supremo concedeu exatamente a metade. Na noite de 25 de dezembro de 2010, em Madri, um táxi e um veículo de emergência do Summa-112 colidiram de frente. Nenhum dos condutores conseguiu provar a culpa do outro: o boletim policial não fixou como ocorreu e o processo penal contra o taxista terminou em absolvição por falta de prova. O pedido era por danos materiais: o reparo do táxi, 6.914,92 € conforme fatura paga pela sua seguradora MMT, e os dias parado, avaliados pela associação de táxis de Madri em 122,05 € por dia. O juízo de primeira instância concedeu 13.358,96 €. Em 2016 a Audiencia Provincial de Madrid revogou integralmente a sentença: sem prova da culpa de cada um, as culpas se neutralizavam e ninguém pagava, com custas da primeira instância para os autores. O plenário da seção civil do Supremo então fixou a doutrina.
O que não era evidente. Nos danos materiais a responsabilidade não se funda na solidariedade social com as vítimas, como nos danos pessoais, mas na culpa — com inversão do ônus da prova. Entre as três soluções possíveis (cada condutor indeniza integralmente o dano do outro; as culpas se neutralizam e ninguém indeniza; cada um assume 50 %), o plenário escolheu a terceira: “cada uno asuma la indemnización de los daños del otro vehículo en un 50%”. Daí a lição prática que os guias não dizem: se há colisão recíproca de dois veículos e o grau de culpa de cada condutor não pode ser determinado, o “a culpa não foi determinada, então não há pagamento” não corresponde à doutrina do plenário — nesse caso cada um assume metade dos danos do outro. Fora dessa situação (culpa comprovada de um, ou danos que não vêm de colisão entre dois veículos) a regra é outra e não se pode prometer metade. O inverso segue: se a culpa na colisão não for provada, você recebe metade e não o todo, e é isso que valem de fato as fotos antes de mover os carros e uma declaração amigável bem preenchida.
Resultado: 13.358,96 € concedidos em primeira instância → 0 na apelação → 6.679,48 € (a metade) após o Supremo. Além disso, o juro do art. 20 da Lei do Contrato de Seguro foi substituído pelo juro legal comum. O litígio durou mais de oito anos: colisão em dezembro de 2010, ação em dezembro de 2012, sentença do plenário em maio de 2019.
A doutrina está vigente: art. 1 da Lei sobre responsabilidade civil e seguro na circulação de veículos a motor (RDLeg 8/2004), na interpretação do plenário na sentença 294/2019. Não confunda com a regra dos danos pessoais: ali, sem prova do grau de culpa, aplicam-se indenizações cruzadas integrais (STS 536/2012) — o mesmo impacto se divide de forma diferente para pessoas e para veículos.
Supremo Tribunal, seção civil, plenário · 27.05.2019
O guia acima descreve a reclamação comum. Vale revisar não só o valor, mas com o que a culpa é provada: numa colisão entre dois veículos em que a incidência causal não pode ser repartida, o tribunal divide o dano pela metade; nos outros casos o resultado depende da sua combinação de fatos e não se promete de antemão.
Revisar meu casoErros que enfraquecem a reclamação
- Assinar uma versão do acidente ou um acordo só porque alguém diz que é “o padrão”.
- Confiar em ligações em vez de decisões e cálculos por escrito.
- Jogar fora recibos, faturas de reparo ou mensagens porque parecem pouco importantes.
Se negarem, atrasarem ou oferecerem pouco
- Peça motivo e cálculo por escrito.
- Compare a decisão da seguradora com seus documentos e provas antes de discutir.
- Se a recusa ou oferta baixa for sobre culpa ou avaliação do dano, prepare reclamação com provas.
Preparar reclamação por recusa ou oferta baixa
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FAQ
Devo assinar o documento da seguradora?
Só depois de entender o que ele encerra: lesões, dano material, tratamento futuro e renúncias.
Posso reclamar sendo estrangeiro ou turista?
Sim. Residência não é o ponto principal; provas, responsabilidade e prazos importam.
Resposta por telefone basta?
Não. Peça decisão, cálculo ou pedido por escrito.
Fontes
- Baremo / traffic injury scale (BOE)
- Ley de Contrato de Seguro (BOE)
- Dirección General de Seguros y Fondos de Pensiones
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- Base legal, prazos e valores reverificados com fontes oficiais.
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