Atualizado: agosto de 2026 · 7 min de leitura
Direitos do consumidor · Espanha

Produto defeituoso na Espanha: garantia legal, reembolso e troca

Comprou na Espanha algo que quebrou, falhou ou nunca funcionou como prometido? A lei te dá uma garantia legal gratuita de até 3 anos — reparo, troca ou o dinheiro de volta — e responde o vendedor, não só o fabricante. Um aviso de “não fazemos reembolsos” ou uma política de loja vencida não a eliminam. Veja o que é seu por direito, os prazos, as provas e como reclamar passo a passo.

O que é a garantia legal

Todo produto vendido a um consumidor na Espanha tem uma garantia legal de conformidade gratuita, fixada por lei (LGDCU). O vendedor não pode retirá-la nem cobrar por ela.

Preparar minha reclamação

Para produtos comprados a partir de 1 de janeiro de 2022 a garantia legal dura 3 anos desde a entrega (2 anos para compras anteriores). É independente de qualquer garantia comercial ou de marca, que só soma.

“Conformidade” significa que o produto corresponde ao descrito e funciona como deveria. Um defeito real — não mau uso — está coberto.

A garantia torna acessível defender esse direito: a maioria dos casos se resolve com uma reclamação escrita, sem advogado.

Quando se aplica (novo, usado, quem responde)

  • Cobre produtos comprados de um vendedor profissional para uso pessoal — novos e, com prazo possivelmente reduzido, usados se vendidos por uma empresa.
  • O vendedor é seu interlocutor e o responsável legal; não deixe que te mandem só ao fabricante.
  • Cobre defeitos de conformidade, não danos que você causou nem o desgaste normal.
  • É independente do direito de desistência (devolução em 14 dias) — use a garantia quando o produto é defeituoso, não apenas indesejado.
NAVIMeu produto com defeito — reparo, troca ou dinheiro

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Seus direitos: reparo, troca ou reembolso

  • Primeiro você pode escolher reparo ou troca, grátis e em prazo razoável, salvo se for impossível ou desproporcional.
  • Se o reparo ou a troca não ocorrer a tempo, falhar ou for impossível, você pode pedir redução do preço ou reembolso integral (rescisão do contrato).
  • Todos os custos de pôr o produto em conformidade — mão de obra, peças, envio — são pagos pelo vendedor, não por você.
  • Reparos repetidos e malsucedidos do mesmo defeito reforçam seu direito ao reembolso.

Prazos e a garantia de 3 anos

  • Garantia legal: 3 anos desde a entrega para produtos comprados a partir de 2022.
  • Um defeito que aparece nos primeiros 2 anos presume-se existente na entrega — o vendedor é que deve provar o contrário, não você.
  • Avise o defeito dentro do prazo de garantia e guarde registro escrito da data.
  • Após um reparo ou troca bem-sucedido, a garantia continua no produto.

Provas necessárias

  • Comprovante de compra: fatura, recibo ou extrato bancário.
  • O modelo do produto e uma descrição clara do defeito — fotos ou vídeo ajudam muito.
  • As mensagens com o vendedor: e-mails, chat, a data do primeiro aviso.
  • O documento da garantia comercial, se o vendedor se apoiar nele.

Como reclamar, passo a passo

  • Contate o vendedor por escrito: indique o defeito e o que quer (reparo, troca ou reembolso) com um prazo claro.
  • Sem resposta ou com recusa, peça o formulário oficial (hoja de reclamaciones) — todo comércio deve fornecê-lo.
  • Escale ao consumo: OMIC (escritório municipal) ou sua autoridade regional, depois arbitraje de consumo.
  • Como último passo, o tribunal — muitas vezes sem advogado para valores baixos.

Um caso real: «era em segunda mão» não explica qualquer avaria

Uma compradora pagou 4.500 euros por um carro usado. O tribunal anulou o contrato e condenou o vendedor a devolver o dinheiro. A Audiencia Provincial das Ilhas Baleares decidiu um litígio sobre um Mini Cooper R-56 comprado em 20 de outubro de 2021 por 4.500 euros. O carro tinha um tubo de escape não regulamentar e um para-choques danificado, com reparações orçamentadas em 3.745,58 euros. O tribunal deu por provados «defectos graves en el vehículo», considerou não cumprido o estado prometido do motor e que os defeitos excediam «simples imperfecciones atribuibles al previo uso del bien». O contrato foi anulado e o vendedor condenado a devolver 4.565,25 euros acrescidos de juros legais.

O que não era óbvio. «Era usado» não é uma resposta universal a uma reclamação. O tribunal não negou que um bem em segunda mão tenha marcas de uso; traçou uma linha: as imperfeições explicáveis pelo uso anterior são uma coisa, defeitos graves e um estado diferente do prometido são outra. Na prática, um litígio sobre um bem usado ganha-se menos com a palavra «defeito» do que com a comparação entre o que lhe foi prometido e o que a idade explica por si só. O segundo ponto: aqui não houve reparação nem substituição, mas a anulação da venda com devolução do preço.

Desfecho: contrato anulado e 4.565,25 euros a devolver, mais juros legais. A decisão é definitiva: «La sentencia es firme y contra ella no cabe recurso».

Os limites deste caso. O comunicado não diz se o vendedor era profissional — e disso depende que se aplique a garantia legal de conformidade explicada nesta página. Por isso o caso aparece aqui não como decisão sobre a garantia legal, mas como exemplo de onde um tribunal traça a fronteira entre desgaste e defeito real num bem usado. Foi decidido em recurso e é definitivo, mas vincula apenas as partes. Nota sobre os identificadores: o comunicado publica o tribunal e o ECLI, mas não o número da sentença, nem o do processo, nem a data da decisão, pelo que aqui consta a data do comunicado e é assim designada.

Audiencia Provincial das Ilhas Baleares · 02.10.2024

Acima descreve-se a escada habitual: reparação, substituição, redução do preço ou devolução. Aqui os defeitos levaram a discussão para o próprio contrato.

Verificar o seu caso

Erros que enfraquecem sua reclamação

  • Jogar fora o recibo ou a fatura — guarde qualquer comprovante, até um extrato de cartão.
  • Aceitar o “fale com o fabricante” quando o vendedor é o responsável legal perante você.
  • Pagar o reparo ou o envio que deveriam ser grátis pela garantia.
  • Reclamar só verbalmente, sem um registro escrito datado.
  • Contentar-se com reparos sem fim quando reparos malsucedidos dão direito ao reembolso.

Se o vendedor recusar ou ignorar

  • Um “não” verbal ou o silêncio não é resposta legal — continue escalando por escrito.
  • Um burofax dá prova datada e certificada antes da arbitragem ou do tribunal.
  • Não aceite o “fale com o fabricante”: na Espanha o vendedor responde perante você pela garantia legal.
  • Denuncie o caso ao consumo; pode mediar e, se a lei foi violada, sancionar.

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Perguntas frequentes

A garantia legal é mesmo de 3 anos?

Sim. Para produtos comprados na Espanha a partir de 1 de janeiro de 2022, a garantia legal de conformidade é de 3 anos desde a entrega. O comprado antes mantém a garantia de 2 anos.

A loja diz para ir ao fabricante. Está certo?

Não. Pela garantia legal o vendedor responde perante você. Pode exigir reparo, troca ou reembolso.

Perdi o recibo. Posso reclamar mesmo assim?

Muitas vezes sim: um extrato bancário, a confirmação do pedido ou o cartão de garantia podem provar a compra.

Podem me cobrar o reparo ou o envio?

Não. Pôr o produto em conformidade (mão de obra, peças, envio) é grátis para você pela garantia legal.

Repararam duas vezes e quebrou de novo. E agora?

Reparos repetidos e malsucedidos do mesmo defeito dão direito a pedir troca, redução do preço ou reembolso integral.

E se os 3 anos passaram?

A garantia legal já não se aplica, mas uma garantia comercial ou estendida, ou uma ação por vícios ocultos, pode ajudar. O NAVI pode verificar seu caso.

Também cobre produtos usados?

Sim, quando comprados de uma empresa, embora o vendedor e você possam acordar um prazo reduzido para usados.

É o mesmo que devolver algo que simplesmente não quero?

Não — isso é o direito de desistência de 14 dias. A garantia legal é para produtos defeituosos e costuma ser a via mais forte.

Fontes oficiais

Apenas informativo, não é aconselhamento jurídico. Verifique seu contrato, datas e comunidade autônoma. Atualizado agosto 2026.

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Este guia é informação geral sobre direito espanhol, não um parecer jurídico sobre o seu caso. As regras mudam e o resultado depende dos seus factos e documentos — confirme a sua situação antes de agir.

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